A Base Nacional Comum Curricular estabelece dez competências gerais que todo estudante brasileiro deve desenvolver ao longo da Educação Básica. Dessas dez, pelo menos sete relacionam-se diretamente ao campo socioemocional, evidenciando que dominar conteúdos acadêmicos representa apenas parte da formação necessária para atuar no mundo contemporâneo. As competências socioemocionais organizam-se em torno de cinco grandes dimensões que funcionam como alicerces para habilidades específicas: abertura ao novo, autogestão, engajamento com outros, amabilidade e resiliência emocional.

Essas dimensões interagem entre si e desenvolvem-se simultaneamente, embora cada uma tenha características próprias. Compreender como funcionam auxilia famílias e educadores a identificar oportunidades de fortalecimento dessas habilidades no cotidiano. Diferentemente de conteúdos tradicionais que seguem progressão linear, competências socioemocionais amadurecem por meio de experiências práticas, reflexão e aplicação consciente em novos contextos.


Abertura ao novo estimula curiosidade e criatividade

Estudantes com alta abertura ao novo demonstram curiosidade intelectual, interesse por aprender conteúdos diversos e disposição para experimentar abordagens diferentes na resolução de problemas. Essa dimensão engloba criatividade, imaginação, interesse artístico e abertura para experiências variadas. Crianças naturalmente curiosas fazem perguntas constantemente, querem entender como as coisas funcionam e sentem prazer em descobrir informações novas.

O ambiente escolar favorece essa dimensão quando oferece desafios que convidam à exploração, quando valoriza soluções originais em vez de apenas respostas padronizadas e quando permite que estudantes testem hipóteses mesmo que isso envolva cometer erros. Projetos de investigação científica, atividades artísticas que estimulam expressão pessoal e discussões sobre questões complexas fortalecem abertura ao novo.

Famílias contribuem ao expor crianças a experiências culturais variadas, como visitas a museus, leitura de gêneros literários diversos e conversas sobre temas que expandem horizontes. Incentivar hobbies exploratórios, apoiar interesse por assuntos inusitados e demonstrar própria curiosidade modelam comportamento de abertura.


Autogestão organiza pensamentos e regula ações

A capacidade de planejar, organizar tempo, persistir diante de obstáculos e controlar impulsos constitui núcleo da autogestão. Estudantes com autogestão desenvolvida estabelecem metas, criam estratégias para alcançá-las, monitoram próprio progresso e ajustam abordagens quando necessário. Essa dimensão inclui responsabilidade, determinação, foco, organização e persistência.

“Observamos que estudantes com maior autogestão conseguem lidar melhor com prazos, distribuir esforço entre diferentes disciplinas e manter motivação mesmo em tarefas menos atrativas”, destacam educadores do Colégio Senemby, de Caieiras (SP). “Essas habilidades se desenvolvem gradualmente com prática e orientação adequada.”

Crianças pequenas têm capacidade limitada de autogestão porque o córtex pré-frontal, região cerebral responsável por funções executivas, ainda está em desenvolvimento. Com o amadurecimento neurológico e experiências apropriadas, essa capacidade expande-se. Rotinas consistentes, expectativas claras sobre responsabilidades e oportunidades para tomar pequenas decisões fortalecem autogestão desde cedo.

No ambiente escolar, projetos de longo prazo com etapas intermediárias ensinam planejamento. Agendas para acompanhamento de tarefas e reflexões sobre estratégias de estudo desenvolvem organização. Celebrar persistência e esforço, não apenas resultados finais, reforça importância da determinação.

Engajamento com outros constrói vínculos produtivos

A dimensão de engajamento com outros abrange iniciativa social, assertividade e entusiasmo. Estudantes engajados aproximam-se de colegas com facilidade, participam ativamente de atividades em grupo, comunicam ideias com clareza e demonstram energia para envolver-se em projetos coletivos. Essa dimensão diferencia-se de extroversão simples porque inclui habilidades de liderança, capacidade de mobilizar pessoas e talento para coordenar esforços coletivos.

Trabalhos em equipe bem estruturados, nos quais cada membro tem papel definido mas todos precisam colaborar para alcançar objetivo comum, desenvolvem engajamento. Projetos que exigem apresentações, debates e simulações fortalecem assertividade e capacidade de expressar posicionamento de forma respeitosa mas firme.

Estudantes mais retraídos também podem desenvolver essa dimensão por meio de oportunidades adequadas ao seu perfil. Grupos menores, atividades com estrutura clara e papéis que valorizam diferentes tipos de contribuição permitem que todos participem de forma significativa. O importante é garantir experiências de colaboração bem-sucedidas que demonstrem valor de trabalhar junto a outros.


Amabilidade fortalece convivência respeitosa

Empatia, respeito, confiança e tolerância compõem a dimensão de amabilidade. Estudantes amáveis consideram sentimentos e perspectivas alheias, tratam colegas com gentileza, valorizam diversidade e esforçam-se para manter harmonia nos relacionamentos. Essa dimensão não significa passividade ou concordância constante, mas capacidade de discordar mantendo respeito e procurando compreender posicionamentos diferentes.

O desenvolvimento de amabilidade começa com reconhecimento de próprias emoções. Crianças que aprendem a nomear sentimentos que experimentam tornam-se mais capazes de reconhecer esses mesmos sentimentos em outras pessoas. Atividades que convidam estudantes a imaginar como outros se sentem em determinadas situações, literaturas que apresentam personagens com perspectivas variadas e discussões sobre dilemas éticos desenvolvem empatia.


Resiliência emocional sustenta equilíbrio psicológico

Tolerância ao estresse, autoconfiança, otimismo e controle emocional formam dimensão de resiliência emocional. Estudantes emocionalmente resilientes recuperam-se de decepções, mantêm calma sob pressão, confiam na própria capacidade de superar desafios e encaram obstáculos como temporários. Essa dimensão protege saúde mental e permite que pessoas enfrentem adversidades sem desmoronar.

Resiliência não significa ausência de emoções negativas. Significa capacidade de experimentar sentimentos difíceis, processá-los de forma saudável e continuar funcionando apesar deles. Estudantes resilientes pedem ajuda quando necessário, usam estratégias adaptativas de enfrentamento e mantêm perspectiva realista sobre situações desafiadoras.


Integração das dimensões na prática

As cinco dimensões das competências socioemocionais raramente aparecem isoladas. Uma apresentação oral, por exemplo, demanda abertura ao novo para criar conteúdo interessante, autogestão para preparar-se adequadamente, engajamento para comunicar-se com audiência, amabilidade para considerar perspectiva dos ouvintes e resiliência para lidar com nervosismo. Atividades educacionais ricas mobilizam múltiplas competências simultaneamente.

Avaliar desenvolvimento socioemocional difere de avaliar conhecimento acadêmico. Não há respostas certas ou erradas, mas padrões de comportamento que se manifestam em diferentes contextos. Observação atenta, conversas reflexivas com estudantes e situações que revelam como eles mobilizam essas competências fornecem informações mais valiosas do que testes padronizados.

A parceria entre escola e família potencializa desenvolvimento socioemocional. Quando ambientes doméstico e escolar reforçam valores semelhantes e mantêm expectativas coerentes, estudantes consolidam aprendizados com mais facilidade. As competências socioemocionais preparam estudantes para navegar complexidade da vida adulta, na qual sucesso profissional e pessoal dependem tanto de habilidades técnicas quanto de capacidade de relacionar-se, adaptar-se, perseverar e contribuir positivamente para comunidades.

Para saber mais sobre competências socioemocionais, acesse https://noticias.portaldaindustria.com.br/listas/10-competencias-socioemocionais-que-devem-ser-desenvolvidas-na-escola/ e https://institutoayrtonsenna.org.br/o-que-defendemos/competencias-socioemocionais-estudantes