A saúde bucal representa uma parte integral do bem-estar geral das crianças e desempenha papel crucial no desenvolvimento da fala, mastigação e respiração. A boca é a principal porta de entrada para o corpo e abriga inúmeras bactérias, algumas das quais podem causar doenças se não forem controladas adequadamente. A má higiene bucal pode levar a problemas sérios, como cáries, gengivite e até comprometer o desenvolvimento dos dentes permanentes. Portanto, adotar uma rotina de cuidados bucais desde a primeira infância é essencial para manter a saúde do corpo como um todo.
Quando começar os cuidados bucais
Os cuidados com a saúde bucal devem começar ainda antes do surgimento do primeiro dente. A limpeza das gengivas do bebê com uma gaze ou fralda de pano umedecida após as mamadas ajuda a remover resíduos de leite e prepara a criança para a rotina de higiene bucal. Com o surgimento do primeiro dente, que normalmente ocorre por volta dos 5 a 6 meses de idade, a escovação deve ser iniciada.
A escovação deve ser feita com uma escova de cerdas macias e creme dental com flúor em quantidade equivalente a um grão de arroz, para evitar a ingestão excessiva de flúor. Quando a criança já consegue cuspir, geralmente por volta dos 3 anos, a quantidade pode ser aumentada para o tamanho de uma ervilha. O uso do fio dental também deve ser introduzido quando os dentes começarem a se tocar, geralmente por volta dos 2 a 3 anos de idade.
Importância dos dentes de leite
Os dentes de leite, embora temporários, desempenham funções importantes que vão além da mastigação. Eles mantêm o espaço adequado para os dentes permanentes, auxiliam no desenvolvimento da fala e contribuem para o crescimento correto dos ossos da face.
A perda prematura dos dentes de leite pode afetar negativamente a criança, tanto do ponto de vista funcional quanto emocional. “Muitas famílias acreditam que os dentes de leite não precisam de cuidados especiais por serem temporários, mas essa é uma visão equivocada que pode comprometer a saúde bucal futura da criança”, explicam educadores do Colégio Senemby, de Caieiras (SP).
Problemas nos dentes de leite podem dificultar a mastigação correta, interferir na pronúncia das palavras e causar dor intensa. Além disso, infecções nos dentes de leite podem afetar os dentes permanentes que estão se formando abaixo deles, causando manchas, deformações ou até comprometendo sua estrutura.
Supervisão e desenvolvimento da autonomia
A educação das crianças sobre a importância da higiene bucal é um processo contínuo. Os pais devem supervisionar a escovação até que a criança adquira habilidade suficiente para realizar a tarefa sozinha, o que normalmente ocorre por volta dos 7 a 8 anos de idade. Mesmo após esse período, é recomendável que os pais façam uma revisão da escovação, especialmente à noite, para garantir que todas as superfícies dos dentes sejam adequadamente limpas.
É importante também evitar o uso prolongado de chupetas e mamadeiras, especialmente com líquidos açucarados. Esses hábitos podem causar desalinhamento dos dentes e problemas na mastigação e na fala. O ideal é que a chupeta seja retirada até os 2 anos de idade e que mamadeiras sejam gradualmente substituídas por copos, especialmente para bebidas noturnas.
Alimentação e prevenção de cáries
A prevenção de cáries está diretamente ligada aos hábitos alimentares. Evitar o consumo excessivo de alimentos ricos em açúcares, especialmente entre as refeições, é fundamental para prevenir a formação de cáries. A cárie dentária é causada por bactérias que se alimentam de açúcares presentes nos alimentos, produzindo ácidos que corroem o esmalte dos dentes.
Uma dieta equilibrada, rica em frutas, vegetais e alimentos que promovam a saúde dos dentes, contribui significativamente para a prevenção de problemas bucais. Alimentos fibrosos, como maçã e cenoura, ajudam na limpeza natural dos dentes. Já bebidas ácidas, como refrigerantes e sucos industrializados, podem corroer o esmalte dos dentes e devem ser consumidas com moderação.
Estabelecer horários regulares para as refeições e evitar beliscar ao longo do dia também ajuda a proteger os dentes. Cada vez que a criança consome alimentos ou bebidas açucaradas, as bactérias na boca produzem ácidos que atacam o esmalte dos dentes por cerca de 20 minutos. Portanto, quanto mais frequente for a ingestão de açúcar, maior o risco de cáries.
Visitas regulares ao dentista
A visita regular ao dentista, pelo menos duas vezes ao ano, é indispensável para uma avaliação completa e para a realização de limpezas profissionais que ajudam a remover a placa bacteriana e o tártaro, que não são removidos com a escovação diária. A primeira visita ao dentista deve ocorrer por volta do primeiro ano de vida ou quando surgir o primeiro dente.
Essas consultas preventivas permitem que o profissional identifique problemas em estágios iniciais, quando o tratamento é mais simples e menos invasivo. Além disso, o dentista pode orientar os pais sobre técnicas corretas de escovação, uso do fio dental e hábitos alimentares adequados para cada faixa etária.
Para crianças que utilizam aparelhos ortodônticos, a atenção à higiene bucal deve ser redobrada, pois esses dispositivos podem acumular restos de alimentos, aumentando o risco de gengivite e cáries. Escovação após cada refeição e uso de escovas interdentais específicas são fundamentais nesse período.
Consequências da negligência
A negligência com a saúde bucal infantil pode ter consequências sérias e duradouras. Se não tratada, a cárie pode levar à destruição dos dentes e causar dor intensa, além de prejudicar o desenvolvimento dos dentes permanentes. Outro problema comum é a gengivite, uma inflamação da gengiva causada pelo acúmulo de placa bacteriana.
Se não tratada, a gengivite pode evoluir para periodontite, uma condição mais grave que pode levar à perda dos dentes. O mau hálito, ou halitose, também é um sinal de que algo não está indo bem com a saúde bucal da criança e pode ter diversas causas, desde a má higiene até problemas gastrointestinais.
Além dos problemas físicos, a falta de cuidados com a saúde bucal pode afetar a autoestima e o bem-estar emocional da criança. Problemas dentários visíveis, como cáries ou dentes desalinhados, podem fazer com que a criança se sinta constrangida em socializar, afetando sua confiança e suas interações sociais.
Criação de hábitos saudáveis
É fundamental que os pais estejam bem-informados sobre as melhores práticas de higiene bucal para transmitirem esses hábitos às crianças desde cedo. Transformar a escovação em um momento prazeroso, através de músicas, brincadeiras ou aplicativos educativos, ajuda a criança a desenvolver uma relação positiva com a higiene bucal.
O uso de flúor, tanto em pastas de dente quanto na água tratada, é uma medida eficaz na prevenção de cáries. Com orientação adequada e cuidados contínuos, é possível garantir que as crianças desenvolvam dentes saudáveis e mantenham um sorriso bonito e funcional ao longo da vida. A conscientização sobre os riscos associados à má higiene bucal pode motivar tanto os pais quanto as crianças a adotarem práticas mais saudáveis, prevenindo complicações futuras e assegurando uma qualidade de vida melhor.
Para saber mais sobre saúde bucal, visite https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-crianca/primeira-infancia/saude-bucal e https://www.tjdft.jus.br/informacoes/programas-projetos-e-acoes/pro-vida/dicas-de-saude/pilulas-de-saude/saude-bucal-cuidado-com-os-dentes-e-fundamental

