A autoestima interfere na forma como crianças e adolescentes lidam com desafios, convivência, desempenho escolar, críticas e frustrações. Quando o estudante tem uma percepção muito negativa de si mesmo, pode evitar atividades, apresentar insegurança para participar das aulas, demonstrar medo excessivo de errar ou depender de aprovação constante para se sentir capaz.

O tema exige atenção porque a autoestima começa a se formar na infância e passa por mudanças importantes na adolescência. Nessa fase, a relação com a própria imagem, a aceitação pelos colegas, o desempenho acadêmico e a comparação com outras pessoas podem influenciar o comportamento. Por isso, família e escola precisam observar como o aluno reage a erros, cobranças, elogios, conflitos e situações de exposição.

 

Baixa autoestima aparece em atitudes do cotidiano

A baixa autoestima nem sempre aparece de forma explícita. Em alguns casos, o estudante verbaliza frases negativas sobre si mesmo, diz que não consegue aprender, evita tentar novamente depois de uma dificuldade ou demonstra vergonha ao apresentar trabalhos. Em outros, os sinais aparecem por meio de isolamento, irritação, mudanças bruscas de humor, queda no rendimento ou resistência a participar de atividades em grupo.

Esses comportamentos precisam ser analisados com cuidado. Uma queda pontual de rendimento ou um período de maior retraimento pode estar relacionado a diferentes fatores, como cansaço, problemas familiares, dificuldade em uma disciplina ou conflitos com colegas. A atenção deve aumentar quando os sinais se tornam frequentes, intensos ou passam a comprometer a rotina escolar e social.

Para os educadores do Colégio Senemby, de Caieiras (SP), a observação contínua ajuda a diferenciar situações passageiras de dificuldades que precisam de maior acompanhamento. “Quando o aluno evita participar, reage mal a erros ou se compara o tempo todo com os colegas, é importante que os adultos investiguem o que está acontecendo antes de classificar o comportamento como desinteresse”, observam.

 

Comparações podem aumentar a insegurança

Um dos cuidados principais ao abordar autoestima é evitar comparações. Frases que colocam irmãos, colegas ou outros estudantes como referência de desempenho podem reforçar sentimentos de incapacidade. Mesmo quando a intenção é estimular, a comparação tende a deslocar o foco do processo de aprendizagem para uma disputa que nem sempre ajuda o aluno a compreender suas próprias dificuldades.

O acompanhamento mais adequado considera o ponto de partida de cada estudante. Reconhecer esforço, avanço e persistência costuma ser mais efetivo do que valorizar apenas notas altas ou resultados imediatos. Isso não significa ignorar desempenho acadêmico, mas mostrar que o aprendizado envolve tentativa, correção, estudo e continuidade.

Na prática, adultos podem substituir cobranças genéricas por orientações mais específicas. Em vez de dizer apenas que o aluno precisa melhorar, é mais claro indicar qual tarefa exige atenção, que conteúdo deve ser retomado, qual estratégia de estudo pode ser ajustada e em que prazo isso será acompanhado. Essa abordagem reduz a sensação de incapacidade e ajuda a transformar a dificuldade em ação possível.

 

Diálogo precisa ser direto e acolhedor

Abordar autoestima exige conversa, mas também exige escuta. Crianças e adolescentes nem sempre conseguem explicar com precisão o que sentem. Muitas vezes, usam frases curtas, respostas evasivas ou reações de irritação. Nesses momentos, insistir em longas conversas ou fazer julgamentos rápidos pode fechar o canal de comunicação.

Uma postura mais eficiente é abrir espaço para que o aluno fale sem medo de punição imediata ou ridicularização. Perguntas objetivas ajudam: o que está difícil, em qual momento ele se sente inseguro, se houve algum episódio na escola, se está evitando determinada atividade ou se precisa de ajuda para organizar estudos e tarefas.

Também é importante reconhecer emoções sem reforçar a ideia de incapacidade. Quando um estudante diz que não consegue fazer algo, o adulto pode acolher a frustração e, ao mesmo tempo, ajudá-lo a identificar etapas concretas: revisar a explicação, refazer um exercício, pedir orientação, dividir uma tarefa maior ou tentar outra forma de estudo.

 

Autonomia contribui para a construção da confiança

A autoestima também se relaciona à autonomia. Crianças e adolescentes precisam ter oportunidades de fazer escolhas compatíveis com a idade, assumir responsabilidades e perceber os efeitos de suas ações. Isso pode ocorrer em tarefas simples da rotina, como organizar materiais, cumprir horários, participar de decisões familiares, cuidar de atividades escolares e buscar ajuda quando necessário.

Quando o adulto faz tudo pelo estudante, transmite a mensagem de que ele não é capaz de lidar com determinadas responsabilidades. Quando cobra autonomia sem orientação, pode gerar frustração. O equilíbrio está em acompanhar, explicar, supervisionar e reduzir a ajuda gradualmente, conforme o aluno demonstra condições de assumir novas tarefas.

No ambiente escolar, a autonomia aparece em diferentes situações: apresentar uma ideia, participar de um grupo, lidar com uma nota abaixo do esperado, refazer uma atividade, pedir explicação ou organizar a própria rotina de estudos. Cada experiência bem acompanhada ajuda o estudante a perceber que dificuldades podem ser enfrentadas com apoio, método e continuidade.

 

Escola e família devem observar mudanças

A escola tem papel importante porque acompanha o aluno em situações de aprendizagem, convivência e participação coletiva. Professores e equipes pedagógicas podem perceber alterações de comportamento, dificuldades de interação, insegurança diante de avaliações ou resistência a atividades que envolvem exposição. Essas informações, quando compartilhadas de forma responsável com a família, ajudam a construir uma visão mais completa da situação.

Em casa, os responsáveis podem observar mudanças no sono, no apetite, no interesse por atividades, na forma de falar sobre si mesmo e na disposição para ir à escola. Comentários recorrentes de autodepreciação, medo intenso de errar, isolamento persistente ou sofrimento diante de críticas merecem atenção.

 

“A autoestima não deve ser tratada apenas quando já há um problema instalado. Ela precisa ser acompanhada na rotina, na forma como o aluno recebe feedbacks, enfrenta dificuldades e percebe seus próprios avanços”, destacam os educadores do Colégio Senemby.

Quando os sinais são persistentes ou associados a sofrimento intenso, a família deve buscar orientação profissional. O acompanhamento psicológico pode ajudar a criança ou o adolescente a compreender emoções, lidar com inseguranças e desenvolver estratégias para enfrentar situações que geram medo, autocrítica ou retraimento.

A abordagem da autoestima no contexto escolar deve combinar observação, diálogo e intervenções proporcionais. O tema aparece em situações comuns da rotina, como avaliações, trabalhos em grupo, convivência com colegas, relação com erros e reação a comentários de adultos. Ao identificar sinais com cuidado e orientar o aluno de forma concreta, família e escola contribuem para que ele desenvolva mais segurança para participar, aprender e lidar com desafios compatíveis com sua idade.

Para saber mais sobre autoestima, visite https://finiciativa.org.br/a-importancia-da-autoestima-para-criancas-e-adolescentes/