Segundo dados da pesquisa TIC Kids Online (2023), mais de 93% das crianças e adolescentes brasileiros entre 9 e 17 anos acessam a internet com regularidade, sendo que a introdução digital ocorre cada vez mais cedo, muitas vezes antes dos 5 anos de idade. A Geração Alpha, composta por pessoas nascidas a partir de 2010 até 2025, representa o primeiro grupo totalmente nativo digital, vivendo desde os primeiros anos de vida cercados pela tecnologia. Essa nova geração demonstra forte afinidade com dispositivos tecnológicos, conectividade constante e uma maneira única de ver o mundo, moldada pelo acesso contínuo à internet.

Pesquisa Panorama, realizada pela Mobile Time e pela Opinion Box, mostra que 44% das crianças brasileiras entre 0 a 12 anos possuem seu próprio smartphone. Essa realidade configura cenário educacional completamente diferente das gerações anteriores e exige abordagens pedagógicas renovadas.


Quem são essas crianças

A hiperconectividade e independência marcam as crianças Alpha desde os primeiros anos de vida. Elas estão rodeadas de dispositivos digitais, e muitas já têm seus próprios smartphones, passando várias horas por dia online. Esse acesso constante cria independência digital e facilidade em buscar informações e navegar pela internet sozinhos.

A curiosidade representa marca registrada dessa geração, que aprende a usar dispositivos e aplicativos rapidamente. Essa habilidade exploratória se traduz em desejo constante de aprender e experimentar. Hoje as crianças são autodidatas e aprendem quando, como e o quanto querem sobre qualquer assunto.

A maioria das crianças Alpha são filhos de millennials, que tendem a ter famílias menores e mais diversas, com diferentes configurações. Esses pais procuram passar mais tempo de qualidade com seus filhos e incentivam valores de igualdade e respeito. Os pais da geração alpha, na sua maioria os millenials, repelem condutas autoritárias, como o uso de castigos, que receberam das suas famílias, e agem em favor do respeito às crianças.

Cercados por estímulos digitais, os Alphas são criativos e questionadores, não aceitando as coisas simplesmente como são. Eles valorizam a experiência de aprender, criar e se conectar com o mundo ao seu redor. Para eles, os mundos digital e físico formam um único universo integrado.

 

Dificuldades de concentração e imediatismo

A Geração Alpha pode ficar verdadeiramente frustrada em situações que exigem paciência e dedicação contínua, já que preferem atividades com recompensas mais rápidas. Com o acesso constante a estímulos digitais, muitos Alphas têm dificuldades de concentração e esperam resultados imediatos.

A exposição constante a dispositivos eletrônicos e mídias digitais está diminuindo a capacidade de concentração dos alunos, tornando mais difícil para eles absorverem informações por longos períodos. Essa dificuldade de concentração pode afetar adversamente o desempenho acadêmico e a capacidade de aprendizagem.

Pesquisas em neurodesenvolvimento apontam que o estilo de aprendizagem das crianças Alpha é mais visual, interativo e fragmentado. Estão acostumadas a estímulos rápidos, feedbacks imediatos e interfaces sensoriais que combinam som, imagem e movimento. Esse padrão cognitivo diferenciado representa desafio significativo para metodologias tradicionais de ensino.

Educadores do Colégio Senemby, de Caieiras (SP), observam que “os alunos Alpha querem ser protagonistas na sua educação, e o professor precisa assumir o papel de mediador do conhecimento, criando experiências que dialoguem com a realidade digital sem abrir mão do desenvolvimento de habilidades essenciais”.

 

O equilíbrio necessário entre telas e realidade

Famílias e escolas devem incentivar atividades fora das telas, estimulando habilidades socioemocionais e promovendo relacionamentos saudáveis. Atividades ao ar livre, esportes, leitura de livros físicos e momentos de desconexão são cruciais para o desenvolvimento físico e mental saudável. Esses momentos fora do mundo digital ajudam a reforçar habilidades motoras, sociais e emocionais.

A hiperconectividade da Geração Alpha também pode levar a uma dependência excessiva da tecnologia e uma falta de habilidades sociais e de comunicação interpessoal. Os alunos podem se tornar menos adeptos a interagir face a face e podem enfrentar dificuldades para desenvolver relacionamentos significativos fora do mundo virtual.

A busca por recompensa instantânea e a comparação constante nas redes sociais podem prejudicar a saúde mental desses jovens. Estar sempre conectado e buscando resultados imediatos pode fazer essa geração se sentir mais estressada e ansiosa. Por isso, estabelecer limites saudáveis para o uso da tecnologia torna-se fundamental.

Garantir a segurança das crianças no ambiente online representa outro grande desafio. A internet oferece infinidade de informações e experiências, mas também esconde perigos, como o cyberbullying e a exposição a conteúdos inadequados. É essencial que os responsáveis eduquem as crianças sobre os riscos online e estabeleçam limites claros, sempre acompanhando e orientando sobre a importância da privacidade e da segurança.


Metodologias que funcionam

A escola pode atuar para educar as crianças com maior qualidade oferecendo metodologias ativas de aprendizagem. Dessa forma, os estudantes podem construir seus conhecimentos a partir da própria experiência. O ideal é que o professor consiga atuar como mediador das experiências da criança com o objeto de estudo, seja o material didático, maquetes, pinturas, escrita ou jogos pedagógicos.

Uma dessas oportunidades reside na utilização de metodologias ativas de aprendizagem, que colocam os alunos no centro do processo de ensino-aprendizagem. A Cultura Maker, por exemplo, permite que os alunos explorem sua criatividade e resolvam problemas de forma prática e colaborativa.

Há uma tendência de ensino cada vez mais personalizado para as necessidades e para os interesses dos alunos, com olhar cuidadoso e atento para a criança e para o adolescente e não mais apenas para o currículo. Devemos pensar em um aprender baseado em projetos transdisciplinares, capazes de incentivar o aprendizado intencional, a partir de vivências do cotidiano, com intenção pedagógica.

A integração da tecnologia no currículo escolar, quando bem planejada, pode criar experiências de aprendizagem mais envolventes e personalizadas, alinhadas aos interesses e habilidades dos alunos. Plataformas de ensino adaptativo podem ajudar a atender necessidades individuais de aprendizagem de cada aluno, oferecendo suporte personalizado e feedback imediato.


Desenvolvimento socioemocional

É fundamental que as escolas reconheçam a importância do desenvolvimento socioemocional dos alunos. A educação socioemocional não apenas promove o bem-estar mental e emocional, mas também prepara os estudantes para enfrentar os desafios da vida real e desenvolver relacionamentos saudáveis.

Dada a tendência ao imediatismo e à dificuldade de concentração, os Alphas devem ser incentivados a desenvolver empatia e paciência. As escolas precisam preparar essa geração para pensar criticamente e resolver problemas de maneira criativa, habilidades essenciais em um mundo cada vez mais automatizado.

Os educadores podem integrar atividades e práticas que promovam a empatia, a inteligência emocional e o autoconhecimento. Isso pode incluir programas de educação socioemocional, sessões de aconselhamento e atividades extracurriculares que incentivem a colaboração e a resolução de conflitos de forma construtiva.

É necessário oferecer aos estudantes atividades que desenvolvam a capacidade de foco e atenção, que serão importantes para seus estudos no decorrer dos anos escolares. A leitura de textos mais longos, exercícios de escrita coerente ou a resolução de problemas matemáticos complexos depende, em grande medida, da capacidade de concentração dos estudantes.


Como as famílias podem contribuir

Muitas vezes, os pais ficam sem saber como conduzir o educar dos filhos quando seus pedidos, regras e combinados não são seguidos. O desafio é pensar em novos modelos de educação e de conduta na dinâmica familiar. Especialistas de diferentes áreas, como a Pedagogia, Psicologia, Medicina e Sociologia, podem auxiliar na orientação, mas é necessário considerar a realidade de cada família.

Os pais ou responsáveis devem investir em boa relação afetiva com os filhos. A realidade dessas famílias, em que mães e pais se encontram durante grande parte do dia no trabalho, acaba permitindo que os jovens passem muito tempo nas redes sociais e nos jogos online. Portanto, deve-se cultivar a união e aproveitar o tempo livre para estreitar os laços.

A geração Alpha, apesar de viver a era da internet, sabe valorizar momentos únicos em família. Por isso, os pais precisam promover atividades coletivas para fortalecer e criar uma educação socioemocional em seus pequenos. Estabelecer rotinas, criar momentos de diálogo e participar ativamente da vida escolar dos filhos fortalece vínculos e contribui para seu desenvolvimento integral.


Valores e consciência global

A Geração Alpha enxerga o mundo de forma única. Eles não distinguem o digital do físico, pois a internet é parte de suas vidas diárias. Veem a diversidade como natural e não entendem divisões rígidas entre gêneros ou grupos. Para eles, o valor reside na experiência, não necessariamente nos bens materiais.


Para saber mais sobre a geração alpha, visite https://www.meioemensagem.com.br/proxxima/geracao-alpha e https://www.dentrodahistoria.com.br/blog/familia/desenvolvimento-infantil/geracao-alpha-caracteristicas