Saúde mental escolar e o apoio dos professores aos alunos

Professores ocupam posição privilegiada para identificar sinais de sofrimento emocional em seus alunos. O contato diário em sala de aula permite observar mudanças de comportamento, quedas no rendimento acadêmico e alterações no padrão de interação social que podem indicar problemas relacionados à saúde mental. Reconhecer esses sinais precocemente e agir adequadamente faz diferença significativa na trajetória dos estudantes, prevenindo que dificuldades emocionais se agravem e afetem o desenvolvimento integral.

A saúde mental é um estado de equilíbrio que permite lidar com emoções, pensamentos, comportamentos e relacionamentos de maneira saudável. Alunos emocionalmente equilibrados integram-se bem à comunidade escolar, estabelecem amizades, mantêm bom relacionamento familiar e apresentam resiliência diante de adversidades. Por outro lado, estudantes com problemas emocionais podem apresentar dificuldades em lidar com sentimentos, isolamento social, surtos, crises de choro, euforia inadequada, ausências frequentes ou agressividade.


Criação de ambiente acolhedor e seguro

O primeiro passo para apoiar a saúde mental dos alunos é estabelecer um clima de sala de aula onde todos se sintam respeitados e acolhidos. Estudantes precisam sentir que podem expressar dúvidas, dificuldades e preocupações sem medo de julgamento ou ridicularização. Professores que demonstram empatia, escutam ativamente e validam os sentimentos dos alunos criam condições para que eles se abram quando enfrentam problemas.

Estabelecer regras claras de convivência que proíbam bullying, discriminação e exclusão é fundamental. Intervir imediatamente quando presenciar situações de violência verbal ou física demonstra aos alunos que o ambiente é seguro. Promover atividades que valorizem a diversidade e incentivem respeito mútuo fortalece o senso de pertencimento e reduz ansiedades relacionadas à aceitação social.

A forma como o professor se comunica também impacta o bem-estar emocional dos estudantes. Evitar comparações entre alunos, não expor dificuldades publicamente e reconhecer esforços individuais preserva a autoestima. Feedbacks construtivos que destacam progressos e oferecem caminhos para melhorias são mais eficazes que críticas negativas que minam a confiança.


Observação atenta e identificação de sinais

Mudanças repentinas no comportamento merecem atenção cuidadosa. Um aluno anteriormente participativo que se torna retraído, uma criança alegre que passa a demonstrar tristeza constante ou um estudante disciplinado que começa a faltar frequentemente podem estar sinalizando sofrimento emocional. Quedas abruptas no desempenho acadêmico, especialmente quando não acompanhadas de explicações aparentes, também funcionam como alertas.

"A observação cotidiana permite que identifiquemos alterações no padrão de cada estudante, possibilitando intervenções precoces que podem prevenir o agravamento de dificuldades emocionais", afirmam educadores do Colégio Senemby, em Caieiras (SP).

Isolamento social excessivo, recusa em participar de atividades em grupo, dificuldade em manter amizades ou conflitos frequentes com colegas indicam possíveis problemas nas habilidades socioemocionais. Manifestações físicas como dores de cabeça, dores de estômago ou cansaço excessivo sem causa médica aparente podem ter origem emocional e merecem investigação.

Expressões verbais sobre tristeza profunda, desesperança, sensação de não pertencimento ou comentários autodepreciativos nunca devem ser ignorados. Mesmo quando parecem exagerados ou dramáticos, esses sinais exigem escuta respeitosa e encaminhamento adequado. Desenhos ou textos que expressam violência, morte ou sofrimento intenso também são formas de comunicação que merecem atenção.

 

Estratégias práticas de apoio em sala de aula

A escuta ativa é ferramenta poderosa que professores podem utilizar diariamente. Quando um aluno compartilha uma dificuldade, dedicar tempo para ouvir genuinamente, sem interrupções ou julgamentos, demonstra que suas preocupações são levadas a sério. Parafrasear o que foi dito e validar sentimentos, mesmo que o professor não concorde com a percepção do estudante, ajuda na construção de confiança.

Incorporar práticas de regulação emocional na rotina escolar beneficia todos os alunos. Exercícios breves de respiração antes de provas, pausas para alongamento durante aulas longas e momentos de check-in emocional permitem que estudantes reconheçam e gerenciem suas emoções. Essas práticas normalizam conversas sobre sentimentos e ensinam ferramentas práticas de autocuidado.

Flexibilidade pedagógica também apoia a saúde mental. Compreender que um aluno ansioso pode precisar de tempo adicional em avaliações, que um estudante lidando com luto pode ter dificuldades temporárias de concentração, ou que alguém com questões emocionais pode beneficiar-se de tarefas adaptadas demonstra sensibilidade às circunstâncias individuais sem comprometer expectativas acadêmicas.

Promover discussões sobre saúde mental em sala de aula, de forma adequada à faixa etária, reduz estigmas e normaliza a busca por ajuda. Abordar temas como gestão de estresse, importância do sono, estratégias para lidar com ansiedade e valor de pedir apoio equipa os estudantes com conhecimento que podem aplicar em suas vidas.


Trabalho colaborativo com orientação e famílias

Professores não devem e não podem atuar como psicólogos ou terapeutas. Quando identificam sinais de problemas emocionais significativos, o encaminhamento para profissionais especializados é crucial. Orientadores educacionais, psicólogos escolares ou coordenadores pedagógicos têm formação específica para avaliar situações e propor intervenções adequadas.

A comunicação com as famílias deve ser feita com sensibilidade e confidencialidade. Compartilhar observações objetivas sobre mudanças de comportamento ou dificuldades acadêmicas, sem diagnósticos ou rótulos, permite que pais compreendam a preocupação. Oferecer-se como parceiro no apoio ao aluno, em vez de adotar tom acusatório, facilita a colaboração entre escola e família.

Manter sigilo sobre informações compartilhadas pelos alunos, exceto em situações de risco iminente, é princípio ético fundamental. Estudantes precisam confiar que o que dizem ao professor em particular será tratado com respeito e discrição. Quebrar essa confiança pode afastar não apenas aquele aluno, mas outros que perceberem a falta de confidencialidade.

Participar de reuniões de equipe onde se discutem casos específicos permite visão mais completa sobre o estudante. Outros professores podem ter observações complementares, orientadores podem oferecer contexto adicional, e estratégias coordenadas tendem a ser mais eficazes que ações isoladas.


Autocuidado do professor como modelo

Educadores que cuidam da própria saúde mental estão mais preparados para apoiar seus alunos. O estresse ocupacional, quando não gerenciado adequadamente, reduz a capacidade de observar sutilezas, responder com empatia e manter paciência necessária para lidar com situações desafiadoras. Professores esgotados emocionalmente têm dificuldade em oferecer o suporte que estudantes necessitam.

Buscar apoio quando necessário, estabelecer limites saudáveis entre vida profissional e pessoal, e praticar estratégias de autocuidado não são luxos, mas necessidades para manter qualidade do trabalho pedagógico. Educadores que modelam comportamentos saudáveis de gestão emocional ensinam aos alunos, através do exemplo, que cuidar da saúde mental é parte fundamental da vida.


A cultura escolar de bem-estar

A promoção da saúde mental não é responsabilidade exclusiva de um professor ou profissional, mas requer esforço coletivo de toda comunidade escolar. Quando professores, gestores, funcionários e famílias trabalham coordenadamente para criar ambiente que valoriza bem-estar emocional, os resultados são mais consistentes e duradouros.

Políticas escolares que estabelecem protocolos claros para lidar com crises emocionais, que oferecem capacitação contínua aos educadores sobre saúde mental e que disponibilizam recursos de apoio adequados demonstram compromisso institucional com o tema. Investir em prevenção é mais eficaz e menos custoso que apenas reagir quando problemas já estão estabelecidos.

Professores que compreendem seu papel no apoio à saúde mental dos alunos, que desenvolvem habilidades de observação e escuta, que estabelecem ambientes seguros e acolhedores, e que trabalham colaborativamente com especialistas e famílias contribuem significativamente para o desenvolvimento integral dos estudantes. Essa atuação não substitui o trabalho de profissionais da saúde mental, mas complementa e potencializa os cuidados que cada aluno recebe, construindo bases sólidas para seu presente e futuro.

Para saber mais sobre saúde mental, acesse https://www.saudementalnaescola.com/ e https://drauziovarella.uol.com.br/psiquiatria/saude-mental-nas-escolas-como-os-professores-podem-ajudar-seus-alunos

 

 


Pilares das competências socioemocionais na educação

A Base Nacional Comum Curricular estabelece dez competências gerais que todo estudante brasileiro deve desenvolver ao longo da Educação Básica. Dessas dez, pelo menos sete relacionam-se diretamente ao campo socioemocional, evidenciando que dominar conteúdos acadêmicos representa apenas parte da formação necessária para atuar no mundo contemporâneo. As competências socioemocionais organizam-se em torno de cinco grandes dimensões que funcionam como alicerces para habilidades específicas: abertura ao novo, autogestão, engajamento com outros, amabilidade e resiliência emocional.

Essas dimensões interagem entre si e desenvolvem-se simultaneamente, embora cada uma tenha características próprias. Compreender como funcionam auxilia famílias e educadores a identificar oportunidades de fortalecimento dessas habilidades no cotidiano. Diferentemente de conteúdos tradicionais que seguem progressão linear, competências socioemocionais amadurecem por meio de experiências práticas, reflexão e aplicação consciente em novos contextos.


Abertura ao novo estimula curiosidade e criatividade

Estudantes com alta abertura ao novo demonstram curiosidade intelectual, interesse por aprender conteúdos diversos e disposição para experimentar abordagens diferentes na resolução de problemas. Essa dimensão engloba criatividade, imaginação, interesse artístico e abertura para experiências variadas. Crianças naturalmente curiosas fazem perguntas constantemente, querem entender como as coisas funcionam e sentem prazer em descobrir informações novas.

O ambiente escolar favorece essa dimensão quando oferece desafios que convidam à exploração, quando valoriza soluções originais em vez de apenas respostas padronizadas e quando permite que estudantes testem hipóteses mesmo que isso envolva cometer erros. Projetos de investigação científica, atividades artísticas que estimulam expressão pessoal e discussões sobre questões complexas fortalecem abertura ao novo.

Famílias contribuem ao expor crianças a experiências culturais variadas, como visitas a museus, leitura de gêneros literários diversos e conversas sobre temas que expandem horizontes. Incentivar hobbies exploratórios, apoiar interesse por assuntos inusitados e demonstrar própria curiosidade modelam comportamento de abertura.


Autogestão organiza pensamentos e regula ações

A capacidade de planejar, organizar tempo, persistir diante de obstáculos e controlar impulsos constitui núcleo da autogestão. Estudantes com autogestão desenvolvida estabelecem metas, criam estratégias para alcançá-las, monitoram próprio progresso e ajustam abordagens quando necessário. Essa dimensão inclui responsabilidade, determinação, foco, organização e persistência.

"Observamos que estudantes com maior autogestão conseguem lidar melhor com prazos, distribuir esforço entre diferentes disciplinas e manter motivação mesmo em tarefas menos atrativas", destacam educadores do Colégio Senemby, de Caieiras (SP). "Essas habilidades se desenvolvem gradualmente com prática e orientação adequada."

Crianças pequenas têm capacidade limitada de autogestão porque o córtex pré-frontal, região cerebral responsável por funções executivas, ainda está em desenvolvimento. Com o amadurecimento neurológico e experiências apropriadas, essa capacidade expande-se. Rotinas consistentes, expectativas claras sobre responsabilidades e oportunidades para tomar pequenas decisões fortalecem autogestão desde cedo.

No ambiente escolar, projetos de longo prazo com etapas intermediárias ensinam planejamento. Agendas para acompanhamento de tarefas e reflexões sobre estratégias de estudo desenvolvem organização. Celebrar persistência e esforço, não apenas resultados finais, reforça importância da determinação.

Engajamento com outros constrói vínculos produtivos

A dimensão de engajamento com outros abrange iniciativa social, assertividade e entusiasmo. Estudantes engajados aproximam-se de colegas com facilidade, participam ativamente de atividades em grupo, comunicam ideias com clareza e demonstram energia para envolver-se em projetos coletivos. Essa dimensão diferencia-se de extroversão simples porque inclui habilidades de liderança, capacidade de mobilizar pessoas e talento para coordenar esforços coletivos.

Trabalhos em equipe bem estruturados, nos quais cada membro tem papel definido mas todos precisam colaborar para alcançar objetivo comum, desenvolvem engajamento. Projetos que exigem apresentações, debates e simulações fortalecem assertividade e capacidade de expressar posicionamento de forma respeitosa mas firme.

Estudantes mais retraídos também podem desenvolver essa dimensão por meio de oportunidades adequadas ao seu perfil. Grupos menores, atividades com estrutura clara e papéis que valorizam diferentes tipos de contribuição permitem que todos participem de forma significativa. O importante é garantir experiências de colaboração bem-sucedidas que demonstrem valor de trabalhar junto a outros.


Amabilidade fortalece convivência respeitosa

Empatia, respeito, confiança e tolerância compõem a dimensão de amabilidade. Estudantes amáveis consideram sentimentos e perspectivas alheias, tratam colegas com gentileza, valorizam diversidade e esforçam-se para manter harmonia nos relacionamentos. Essa dimensão não significa passividade ou concordância constante, mas capacidade de discordar mantendo respeito e procurando compreender posicionamentos diferentes.

O desenvolvimento de amabilidade começa com reconhecimento de próprias emoções. Crianças que aprendem a nomear sentimentos que experimentam tornam-se mais capazes de reconhecer esses mesmos sentimentos em outras pessoas. Atividades que convidam estudantes a imaginar como outros se sentem em determinadas situações, literaturas que apresentam personagens com perspectivas variadas e discussões sobre dilemas éticos desenvolvem empatia.


Resiliência emocional sustenta equilíbrio psicológico

Tolerância ao estresse, autoconfiança, otimismo e controle emocional formam dimensão de resiliência emocional. Estudantes emocionalmente resilientes recuperam-se de decepções, mantêm calma sob pressão, confiam na própria capacidade de superar desafios e encaram obstáculos como temporários. Essa dimensão protege saúde mental e permite que pessoas enfrentem adversidades sem desmoronar.

Resiliência não significa ausência de emoções negativas. Significa capacidade de experimentar sentimentos difíceis, processá-los de forma saudável e continuar funcionando apesar deles. Estudantes resilientes pedem ajuda quando necessário, usam estratégias adaptativas de enfrentamento e mantêm perspectiva realista sobre situações desafiadoras.


Integração das dimensões na prática

As cinco dimensões das competências socioemocionais raramente aparecem isoladas. Uma apresentação oral, por exemplo, demanda abertura ao novo para criar conteúdo interessante, autogestão para preparar-se adequadamente, engajamento para comunicar-se com audiência, amabilidade para considerar perspectiva dos ouvintes e resiliência para lidar com nervosismo. Atividades educacionais ricas mobilizam múltiplas competências simultaneamente.

Avaliar desenvolvimento socioemocional difere de avaliar conhecimento acadêmico. Não há respostas certas ou erradas, mas padrões de comportamento que se manifestam em diferentes contextos. Observação atenta, conversas reflexivas com estudantes e situações que revelam como eles mobilizam essas competências fornecem informações mais valiosas do que testes padronizados.

A parceria entre escola e família potencializa desenvolvimento socioemocional. Quando ambientes doméstico e escolar reforçam valores semelhantes e mantêm expectativas coerentes, estudantes consolidam aprendizados com mais facilidade. As competências socioemocionais preparam estudantes para navegar complexidade da vida adulta, na qual sucesso profissional e pessoal dependem tanto de habilidades técnicas quanto de capacidade de relacionar-se, adaptar-se, perseverar e contribuir positivamente para comunidades.

Para saber mais sobre competências socioemocionais, acesse https://noticias.portaldaindustria.com.br/listas/10-competencias-socioemocionais-que-devem-ser-desenvolvidas-na-escola/ e https://institutoayrtonsenna.org.br/o-que-defendemos/competencias-socioemocionais-estudantes

 


Letramento digital e socioemocional: Senemby avança com o Educa

Nos últimos anos, pais e educadores têm dividido uma mesma preocupação: como preparar as crianças e os adolescentes para lidar, de forma saudável, com as emoções e com o uso cada vez mais intenso da tecnologia? As telas fazem parte da rotina, e a inteligência artificial já está presente em casa, nas conversas, nos estudos e até no lazer. 

Diante desse novo cenário, o Colégio Senemby dá mais um passo importante em sua proposta pedagógica: a partir do próximo ano letivo, a escola implantará o novo sistema socioemocional Educa, que também contempla o letramento digital dos alunos.

A iniciativa reforça uma frente de trabalho que o Senemby já desenvolve com responsabilidade e sensibilidade: o olhar para a formação integral, inclusive no ambiente digital.

 

O que é o Educa e por que ele é tão importante

O Educa é um sistema educacional voltado ao desenvolvimento socioemocional e digital, que propõe atividades e reflexões adaptadas a cada faixa etária. Por meio de situações do cotidiano, histórias, dinâmicas e projetos, o programa ajuda os alunos a reconhecer e nomear emoções, desenvolver empatia, trabalhar em grupo, resolver conflitos e construir uma autoestima saudável.

Mas o grande diferencial do Educa é a integração entre o emocional e o digital. O sistema entende que o mundo atual exige um equilíbrio entre o uso das tecnologias e o desenvolvimento humano. Assim, ele trabalha a educação socioemocional de forma alinhada ao letramento digital, para que os estudantes aprendam a se posicionar de maneira responsável e ética no ambiente virtual.

Na prática, o Educa aborda temas como:

  • Consciência emocional e autorregulação — aprender a identificar sentimentos e reações;
  • Empatia e convivência — compreender o outro e lidar com as diferenças;
  • Cidadania digital — entender direitos e deveres no ambiente online;
  • Uso responsável da tecnologia — equilibrar o tempo de tela e fazer escolhas saudáveis;
  • Pensamento crítico e ética nas redes — questionar informações, evitar fake news e respeitar a privacidade;
  • Autoconfiança e propósito — reconhecer talentos, valores e objetivos de vida.

Esses temas são trabalhados de forma lúdica e interativa, respeitando as etapas do desenvolvimento infantil e adolescente. As aulas, conduzidas por professores capacitados, estimulam a escuta ativa, o diálogo e a reflexão sobre atitudes dentro e fora da escola.

 

Letramento digital: aprender a viver no mundo conectado

Com o avanço da tecnologia, ser alfabetizado digitalmente é tão importante quanto saber ler e escrever. O termo letramento digital vai além de saber usar o computador, o celular ou os aplicativos — ele envolve compreender o funcionamento do ambiente digital e agir com responsabilidade nele.

No contexto escolar, o letramento digital significa preparar os alunos para buscar informações de fontes confiáveis, respeitar direitos autorais, cuidar da própria segurança online e entender o impacto de suas ações nas redes sociais. É um aprendizado que envolve pensamento crítico, ética e empatia.

Por exemplo:

  • Ao pesquisar um tema para um trabalho, o aluno aprende a verificar a origem e a veracidade das informações.
  • Ao produzir um conteúdo digital, compreende o valor da autoria e o respeito à imagem e à privacidade dos outros.

Essas competências serão aprofundadas no Senemby com o apoio do Educa, que oferece materiais, formações e estratégias para integrar o letramento digital às vivências socioemocionais.

 

Um tema que preocupa os pais — e que precisa ser trabalhado na escola

A preocupação das famílias é legítima. Muitos pais se perguntam qual é o limite saudável no uso das telas, como proteger os filhos dos perigos da internet. O Colégio reconhece essa realidade e busca caminhar junto com as famílias. A escola já vem promovendo conversas, projetos e ações voltadas à educação digital e emocional, e o Educa chega para fortalecer ainda mais essa jornada.

 

Educar para o futuro com propósito

Ensinar os alunos a lidar com as emoções, com os outros e com a tecnologia é um investimento que vai muito além da sala de aula, é um preparo para a vida. Com o Educa, o Senemby segue com uma educação que cuida, acolhe e orienta, ajudando cada aluno a crescer em todas as dimensões: cognitiva, emocional, social e digital.

 


Desafios da Geração Alpha na Educação Atual

Segundo dados da pesquisa TIC Kids Online (2023), mais de 93% das crianças e adolescentes brasileiros entre 9 e 17 anos acessam a internet com regularidade, sendo que a introdução digital ocorre cada vez mais cedo, muitas vezes antes dos 5 anos de idade. A Geração Alpha, composta por pessoas nascidas a partir de 2010 até 2025, representa o primeiro grupo totalmente nativo digital, vivendo desde os primeiros anos de vida cercados pela tecnologia. Essa nova geração demonstra forte afinidade com dispositivos tecnológicos, conectividade constante e uma maneira única de ver o mundo, moldada pelo acesso contínuo à internet.

Pesquisa Panorama, realizada pela Mobile Time e pela Opinion Box, mostra que 44% das crianças brasileiras entre 0 a 12 anos possuem seu próprio smartphone. Essa realidade configura cenário educacional completamente diferente das gerações anteriores e exige abordagens pedagógicas renovadas.


Quem são essas crianças

A hiperconectividade e independência marcam as crianças Alpha desde os primeiros anos de vida. Elas estão rodeadas de dispositivos digitais, e muitas já têm seus próprios smartphones, passando várias horas por dia online. Esse acesso constante cria independência digital e facilidade em buscar informações e navegar pela internet sozinhos.

A curiosidade representa marca registrada dessa geração, que aprende a usar dispositivos e aplicativos rapidamente. Essa habilidade exploratória se traduz em desejo constante de aprender e experimentar. Hoje as crianças são autodidatas e aprendem quando, como e o quanto querem sobre qualquer assunto.

A maioria das crianças Alpha são filhos de millennials, que tendem a ter famílias menores e mais diversas, com diferentes configurações. Esses pais procuram passar mais tempo de qualidade com seus filhos e incentivam valores de igualdade e respeito. Os pais da geração alpha, na sua maioria os millenials, repelem condutas autoritárias, como o uso de castigos, que receberam das suas famílias, e agem em favor do respeito às crianças.

Cercados por estímulos digitais, os Alphas são criativos e questionadores, não aceitando as coisas simplesmente como são. Eles valorizam a experiência de aprender, criar e se conectar com o mundo ao seu redor. Para eles, os mundos digital e físico formam um único universo integrado.

 

Dificuldades de concentração e imediatismo

A Geração Alpha pode ficar verdadeiramente frustrada em situações que exigem paciência e dedicação contínua, já que preferem atividades com recompensas mais rápidas. Com o acesso constante a estímulos digitais, muitos Alphas têm dificuldades de concentração e esperam resultados imediatos.

A exposição constante a dispositivos eletrônicos e mídias digitais está diminuindo a capacidade de concentração dos alunos, tornando mais difícil para eles absorverem informações por longos períodos. Essa dificuldade de concentração pode afetar adversamente o desempenho acadêmico e a capacidade de aprendizagem.

Pesquisas em neurodesenvolvimento apontam que o estilo de aprendizagem das crianças Alpha é mais visual, interativo e fragmentado. Estão acostumadas a estímulos rápidos, feedbacks imediatos e interfaces sensoriais que combinam som, imagem e movimento. Esse padrão cognitivo diferenciado representa desafio significativo para metodologias tradicionais de ensino.

Educadores do Colégio Senemby, de Caieiras (SP), observam que "os alunos Alpha querem ser protagonistas na sua educação, e o professor precisa assumir o papel de mediador do conhecimento, criando experiências que dialoguem com a realidade digital sem abrir mão do desenvolvimento de habilidades essenciais".

 

O equilíbrio necessário entre telas e realidade

Famílias e escolas devem incentivar atividades fora das telas, estimulando habilidades socioemocionais e promovendo relacionamentos saudáveis. Atividades ao ar livre, esportes, leitura de livros físicos e momentos de desconexão são cruciais para o desenvolvimento físico e mental saudável. Esses momentos fora do mundo digital ajudam a reforçar habilidades motoras, sociais e emocionais.

A hiperconectividade da Geração Alpha também pode levar a uma dependência excessiva da tecnologia e uma falta de habilidades sociais e de comunicação interpessoal. Os alunos podem se tornar menos adeptos a interagir face a face e podem enfrentar dificuldades para desenvolver relacionamentos significativos fora do mundo virtual.

A busca por recompensa instantânea e a comparação constante nas redes sociais podem prejudicar a saúde mental desses jovens. Estar sempre conectado e buscando resultados imediatos pode fazer essa geração se sentir mais estressada e ansiosa. Por isso, estabelecer limites saudáveis para o uso da tecnologia torna-se fundamental.

Garantir a segurança das crianças no ambiente online representa outro grande desafio. A internet oferece infinidade de informações e experiências, mas também esconde perigos, como o cyberbullying e a exposição a conteúdos inadequados. É essencial que os responsáveis eduquem as crianças sobre os riscos online e estabeleçam limites claros, sempre acompanhando e orientando sobre a importância da privacidade e da segurança.


Metodologias que funcionam

A escola pode atuar para educar as crianças com maior qualidade oferecendo metodologias ativas de aprendizagem. Dessa forma, os estudantes podem construir seus conhecimentos a partir da própria experiência. O ideal é que o professor consiga atuar como mediador das experiências da criança com o objeto de estudo, seja o material didático, maquetes, pinturas, escrita ou jogos pedagógicos.

Uma dessas oportunidades reside na utilização de metodologias ativas de aprendizagem, que colocam os alunos no centro do processo de ensino-aprendizagem. A Cultura Maker, por exemplo, permite que os alunos explorem sua criatividade e resolvam problemas de forma prática e colaborativa.

Há uma tendência de ensino cada vez mais personalizado para as necessidades e para os interesses dos alunos, com olhar cuidadoso e atento para a criança e para o adolescente e não mais apenas para o currículo. Devemos pensar em um aprender baseado em projetos transdisciplinares, capazes de incentivar o aprendizado intencional, a partir de vivências do cotidiano, com intenção pedagógica.

A integração da tecnologia no currículo escolar, quando bem planejada, pode criar experiências de aprendizagem mais envolventes e personalizadas, alinhadas aos interesses e habilidades dos alunos. Plataformas de ensino adaptativo podem ajudar a atender necessidades individuais de aprendizagem de cada aluno, oferecendo suporte personalizado e feedback imediato.


Desenvolvimento socioemocional

É fundamental que as escolas reconheçam a importância do desenvolvimento socioemocional dos alunos. A educação socioemocional não apenas promove o bem-estar mental e emocional, mas também prepara os estudantes para enfrentar os desafios da vida real e desenvolver relacionamentos saudáveis.

Dada a tendência ao imediatismo e à dificuldade de concentração, os Alphas devem ser incentivados a desenvolver empatia e paciência. As escolas precisam preparar essa geração para pensar criticamente e resolver problemas de maneira criativa, habilidades essenciais em um mundo cada vez mais automatizado.

Os educadores podem integrar atividades e práticas que promovam a empatia, a inteligência emocional e o autoconhecimento. Isso pode incluir programas de educação socioemocional, sessões de aconselhamento e atividades extracurriculares que incentivem a colaboração e a resolução de conflitos de forma construtiva.

É necessário oferecer aos estudantes atividades que desenvolvam a capacidade de foco e atenção, que serão importantes para seus estudos no decorrer dos anos escolares. A leitura de textos mais longos, exercícios de escrita coerente ou a resolução de problemas matemáticos complexos depende, em grande medida, da capacidade de concentração dos estudantes.


Como as famílias podem contribuir

Muitas vezes, os pais ficam sem saber como conduzir o educar dos filhos quando seus pedidos, regras e combinados não são seguidos. O desafio é pensar em novos modelos de educação e de conduta na dinâmica familiar. Especialistas de diferentes áreas, como a Pedagogia, Psicologia, Medicina e Sociologia, podem auxiliar na orientação, mas é necessário considerar a realidade de cada família.

Os pais ou responsáveis devem investir em boa relação afetiva com os filhos. A realidade dessas famílias, em que mães e pais se encontram durante grande parte do dia no trabalho, acaba permitindo que os jovens passem muito tempo nas redes sociais e nos jogos online. Portanto, deve-se cultivar a união e aproveitar o tempo livre para estreitar os laços.

A geração Alpha, apesar de viver a era da internet, sabe valorizar momentos únicos em família. Por isso, os pais precisam promover atividades coletivas para fortalecer e criar uma educação socioemocional em seus pequenos. Estabelecer rotinas, criar momentos de diálogo e participar ativamente da vida escolar dos filhos fortalece vínculos e contribui para seu desenvolvimento integral.


Valores e consciência global

A Geração Alpha enxerga o mundo de forma única. Eles não distinguem o digital do físico, pois a internet é parte de suas vidas diárias. Veem a diversidade como natural e não entendem divisões rígidas entre gêneros ou grupos. Para eles, o valor reside na experiência, não necessariamente nos bens materiais.


Para saber mais sobre a geração alpha, visite https://www.meioemensagem.com.br/proxxima/geracao-alpha e https://www.dentrodahistoria.com.br/blog/familia/desenvolvimento-infantil/geracao-alpha-caracteristicas   


A importância das metodologias ativas na educação infantil

 

As metodologias ativas transformam a maneira como as crianças aprendem, promovendo uma educação mais interativa e centrada no aluno. Essas abordagens, como a sala de aula invertida e a aprendizagem baseada em problemas, incentivam a participação ativa dos estudantes, desenvolvendo habilidades como autonomia e pensamento crítico. O Colégio Senemby, de Caieiras(SP) destaca que, além de melhorar o desempenho acadêmico, essas metodologias fortalecem competências socioemocionais essenciais, como a empatia e a colaboração. O apoio dos professores e das famílias é fundamental para o sucesso dessas práticas inovadoras no ambiente escolar.

Para que as metodologias ativas sejam bem-sucedidas, é fundamental que os professores estejam preparados para aplicar essas novas estratégias em sala de aula. A formação continuada dos educadores e o uso de recursos tecnológicos são elementos importantes para adaptar as metodologias ao contexto atual, tornando as aulas mais dinâmicas e atraentes. Além disso, a participação das famílias nesse processo é crucial, pois o apoio em casa reforça o papel do aluno como protagonista de seu aprendizado.

As metodologias ativas representam um avanço no processo educativo, tornando a aprendizagem mais significativa e adaptada às demandas do século XXI. 

O papel das metodologias ativas no aprendizado


As metodologias ativas têm ganhado destaque no campo da educação, trazendo uma abordagem inovadora que coloca o aluno no centro do processo de aprendizagem. Diferente das práticas tradicionais, em que o professor é o principal transmissor do conhecimento, as metodologias ativas incentivam os estudantes a serem protagonistas de seu próprio aprendizado, promovendo um ambiente mais interativo e dinâmico. 

Essas abordagens englobam diversas técnicas, como a gamificação, o design thinking e a aprendizagem baseada em problemas, que estimulam o aluno a buscar soluções criativas e a trabalhar de forma colaborativa. A ideia é que o aprendizado ocorra por meio de experiências práticas e da interação com os colegas, fazendo com que o conteúdo seja absorvido de maneira mais profunda e significativa. Por exemplo, ao resolver um problema real, o aluno é desafiado a aplicar o que aprendeu, fortalecendo sua capacidade de raciocínio e seu senso de responsabilidade.

Outro exemplo é a sala de aula invertida, que propõe que os estudantes estudem a teoria em casa e, durante as aulas, pratiquem o conteúdo com exercícios e discussões. Essa inversão do modelo tradicional oferece mais tempo para atividades práticas, permitindo que os professores atuem como facilitadores e apoiem os alunos em suas dificuldades. 

Os benefícios dessas metodologias vão além da absorção do conteúdo acadêmico.

Elas também contribuem para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como a empatia e a colaboração, que são essenciais na vida em sociedade. Ao trabalhar em equipe e participar de debates, as crianças aprendem a ouvir diferentes pontos de vista, a argumentar de forma respeitosa e a lidar com frustrações e desafios de maneira construtiva.

Estudos mostram que as metodologias ativas também impactam positivamente o desempenho dos estudantes. Pesquisas revelam que alunos envolvidos em atividades práticas têm uma taxa de retenção de conhecimento maior e apresentam um desempenho superior em comparação aos que seguem um modelo de ensino tradicional. Esse envolvimento ativo faz com que os estudantes se sintam mais motivados e engajados, criando um ambiente onde o aprendizado acontece de forma natural e prazerosa.

Para saber mais sobre metodologias ativas, visite https://www.totvs.com/blog/instituicao-de-ensino/metodologias-ativas-de-aprendizagem e https://professor.escoladigital.pr.gov.br/metodologias_ativas


Primeiros anos definem a base do aprendizado



Os primeiros anos de vida representam o período de maior velocidade de crescimento e aprendizagem do cérebro humano. A chamada primeira infância, que vai do nascimento até os seis anos, é a fase em que o cérebro cria novas conexões em ritmo intenso e organiza as bases do raciocínio. É nesse momento que a criança aprende a focar a atenção, lembrar, associar ideias, usar a linguagem e resolver problemas simples. Essas capacidades formam o conjunto das chamadas habilidades cognitivas, fundamentais para todo o processo de aprendizagem futura.

Diversos estudos da neurociência mostram que o desenvolvimento cognitivo é resultado direto das experiências e interações vividas pela criança. O simples ato de conversar, brincar ou explorar um ambiente novo estimula as sinapses cerebrais e fortalece estruturas responsáveis pela memória, pela linguagem e pelo pensamento lógico.

 

Cérebro em formação

O cérebro da criança pequena é altamente plástico — ou seja, moldável pelas experiências. Nos primeiros anos, ele se reorganiza constantemente a partir do que vê, ouve e sente. Estímulos repetidos e significativos criam conexões duradouras, enquanto a ausência deles pode atrasar o amadurecimento de algumas funções.

Nessa fase, atenção, memória e linguagem se formam de forma integrada. Uma conversa com o adulto, por exemplo, desenvolve vocabulário e atenção. Contar histórias estimula a memória de sequência. Brincadeiras com regras simples ensinam a esperar a vez e fortalecem o controle inibitório, habilidade que mais tarde ajuda o aluno a se concentrar nas atividades escolares.

 

A força da interação e da linguagem

O aprendizado começa nas interações. Quando o adulto fala olhando nos olhos, descreve ações, narra o que está acontecendo ou nomeia emoções, oferece à criança oportunidades de ampliar o vocabulário e de compreender o mundo. Esse tipo de contato é essencial para o raciocínio, porque a linguagem é o principal instrumento do pensamento.

Especialistas destacam um comportamento muito simples, mas decisivo: a atenção compartilhada. Ela acontece quando o adulto e a criança se concentram juntos em um mesmo objeto, cena ou ideia — por exemplo, quando alguém aponta um avião no céu e diz “olha o avião”. Esse tipo de situação ensina que as palavras têm significado e que podem representar o mundo.

De acordo com educadores do Colégio Senemby, de Caieiras (SP), o desenvolvimento da linguagem nos primeiros anos influencia diretamente o desempenho futuro. “Crianças que são estimuladas a ouvir e falar desde cedo constroem pensamento organizado e aprendem a expressar o que sentem com clareza”, afirmam.

 

Brincar é construir raciocínio

A brincadeira é uma das formas mais eficazes de desenvolver o raciocínio. Quando a criança brinca, ela planeja ações, testa hipóteses, cria regras e lida com imprevistos. Ao montar blocos, desenhar, inventar histórias ou simular papéis, aprende a resolver problemas, a comparar tamanhos e a entender relações de causa e efeito.

Brincadeiras que envolvem regras — como jogos de memória ou circuitos simples — exigem atenção, controle da impulsividade e memória de instruções. Já o faz-de-conta estimula a imaginação e a linguagem, além de ensinar a negociar papéis e expressar emoções.

Além de desenvolver o raciocínio, o brincar ajuda a criança a lidar com frustrações. Quando algo não sai como o planejado, ela precisa tentar outra estratégia, o que favorece o autocontrole e o pensamento flexível. Essa capacidade de tentar, errar e refazer é a base da aprendizagem contínua.

 

Emoção e cognição caminham juntas

O raciocínio só se desenvolve plenamente quando há equilíbrio emocional. Uma criança insegura, cansada ou sob estresse tem mais dificuldade para se concentrar e reter informações. Por isso, vínculos estáveis e rotinas previsíveis são indispensáveis durante a primeira infância.

Momentos simples, como a hora do sono, da refeição ou da conversa diária, ajudam a construir essa estabilidade. Quando a criança se sente protegida, seu cérebro não precisa estar em alerta o tempo todo e consegue dedicar energia à curiosidade e à descoberta.

Segundo os educadores do Colégio Senemby, cuidar da parte emocional é também cuidar da aprendizagem. “A segurança emocional é o alicerce de todas as outras habilidades. Uma criança tranquila aprende com mais foco e confiança”, destacam.

 

Primeira infância e alfabetização

A alfabetização formal depende diretamente das habilidades desenvolvidas nos primeiros anos. Antes de aprender letras e sílabas, a criança precisa compreender que símbolos representam ideias, que as histórias têm sequência e que os sons formam palavras. Tudo isso é resultado da construção cognitiva da primeira infância.

Quando um adulto conta histórias, canta músicas e conversa sobre o dia, estimula a memória auditiva e a compreensão de sequência — dois elementos essenciais para ler e escrever. Uma criança que possui bom repertório de vocabulário e capacidade de organizar o pensamento entra na alfabetização com vantagem natural.

O Dia Nacional da Alfabetização, celebrado em 14 de novembro, reforça a importância desse processo contínuo. Aprender a ler é mais do que decifrar letras: é compreender o sentido das palavras e reconhecer o próprio pensamento em forma escrita.

 

O papel complementar da família e da escola

A formação cognitiva é mais sólida quando escola e família caminham juntas. A escola amplia o repertório da criança com experiências coletivas, enquanto o lar oferece continuidade emocional e diálogo constante. Essa parceria cria um ambiente rico em estímulos e segurança.

Em casa, pequenas atitudes fazem diferença: conversar durante as refeições, nomear objetos do cotidiano, permitir que a criança faça perguntas e tenha tempo para brincar. Na escola, o convívio com colegas e professores desenvolve habilidades sociais e a escuta atenta, importantes para a concentração e a resolução de conflitos.

A continuidade entre esses dois ambientes reforça a aprendizagem. Quando a linguagem, os valores e as rotinas têm coerência, a criança se sente mais segura para explorar o novo e se expressar com autonomia.

Tratar a primeira infância como uma simples fase de preparação é um equívoco. Esse período é a base de toda a estrutura de aprendizagem e de desenvolvimento humano. As experiências vividas nos primeiros anos influenciam o modo como a criança pensa, sente e reage ao longo da vida.

Oferecer tempo de qualidade, estímulo à linguagem, afeto e oportunidades de descoberta é investir em todas as etapas seguintes. Crianças que desenvolvem atenção, memória, raciocínio e autocontrole desde cedo tornam-se estudantes mais concentrados, comunicativos e criativos.


Brincar para crescer com equilíbrio

Brincar não é passatempo. Para a criança pequena, brincar é o modo natural de explorar o próprio corpo, entender limites, testar equilíbrio, ajustar força e construir controle dos movimentos. A coordenação motora, tão importante para tarefas básicas como segurar o lápis, recortar com tesoura infantil, vestir a própria roupa e subir escadas com segurança, nasce de experiências concretas de movimento durante o brincar.

Coordenação motora não é uma única habilidade. Envolve controle global do corpo (correr, pular, rolar, arremessar), mas também controle fino (pinçar, encaixar, empilhar, abrir e fechar objetos). A educação infantil é uma fase crítica porque o cérebro está amadurecendo conexões que relacionam percepção, planejamento e execução do gesto. Quando a criança brinca, ela liga essas áreas ao mesmo tempo: olha, decide e faz. Esse ciclo repetido melhora força muscular, equilíbrio, precisão de movimento e noção espacial.

Brincadeiras de perseguição, corrida, esconde-esconde, amarelinha e circuito de obstáculos ajudam na coordenação motora ampla. Nessas situações, a criança testa velocidade, freio, mudança de direção e ajuste postural. Quando precisa desacelerar para não cair, desviar de um amigo ou saltar sobre uma linha no chão, a criança está treinando controle corporal e atenção conjunta. Esse tipo de desafio físico, que parece simples para o adulto, é um passo importante para formar segurança de movimento e reduzir quedas, tropeços e choques no dia a dia.

 

Brincar e consciência corporal

Desafios motores também ajudam a criança a entender o próprio corpo no espaço. Ao engatinhar em túneis improvisados, equilibrar-se em cima de uma linha desenhada no chão ou caminhar sobre almofadas, ela aprende a calcular distância, altura e apoio. Essa noção de “onde estou” e “quanto posso alcançar” tem ligação direta com autonomia e prevenção de acidentes.

Brincadeiras que envolvem movimentos coordenados de braços e pernas, como chutar uma bola parada ou lançar um objeto grande e leve, fortalecem lateridade (a diferenciação entre lado direito e lado esquerdo) e integração entre as duas metades do corpo. Essa integração mais tarde será exigida em tarefas escolares, como copiar do quadro enquanto apoia o caderno e posiciona o braço de forma estável.

 

A motricidade fina também se desenvolve brincando. Massinha, encaixes, blocos de construção pequenos, abrir potes com tampa rosqueável e empilhar objetos pedem controle dos dedos, força medida e precisão do gesto. Essa prática prepara a musculatura da mão para tarefas futuras que exigem firmeza e resistência, como escrever, pintar, contornar e recortar. Educadores do Colégio Senemby, de Caieiras (SP), afirmam que “o desenvolvimento da coordenação motora na infância acontece quando a criança tem permissão para manipular, apertar, equilibrar, montar e desmontar. Brincar com as mãos é um treino real de independência”.

Do ponto de vista emocional, esse domínio do próprio corpo gera confiança. A criança que percebe que consegue pular mais longe, se equilibrar por mais tempo ou encaixar pecinhas difíceis passa a acreditar na própria capacidade de resolver desafios. Essa autoconfiança inicial se reflete em outras áreas da aprendizagem.

 

Brincar como construção de habilidades cognitivas

Brincar também estrutura pensamento. Em uma amarelinha, por exemplo, a criança precisa obedecer a regras de sequência, esperar sua vez, lembrar onde pode ou não pode pisar e ajustar o corpo em função dessa regra. Ou seja, coordenação motora e controle inibitório (a habilidade de segurar o impulso e agir com intenção) acontecem juntos.

No faz de conta, há outro tipo de coordenação importante. Ao alimentar uma boneca, montar uma cabana com cadeiras e lençóis ou transformar caixas em carros e navios, a criança treina planejamento motor: o que preciso pegar primeiro, como vou equilibrar isso, como manter em pé. Ela ajusta movimentos finos em função de uma história que ela mesma está inventando. Esse vínculo entre gesto e imaginação fortalece linguagem, memória de sequência e organização mental.

Esse processo de planejar e executar movimentos encadeados também contribui para a autorregulação emocional. Educar a coordenação motora não significa só treinar músculos. Significa ensinar o corpo a obedecer à intenção. Quando a criança aprende a parar, respirar e tentar de novo um gesto delicado em vez de jogar o objeto longe, isso já é controle emocional em construção.

 

Interação social enquanto a criança brinca

Brincar é também um exercício de convivência. Ao negociar regras, dividir espaço e lidar com frustração (“agora é a vez do outro”, “o bloco caiu”, “a torre desmontou”), a criança começa a entender limites pessoais e coletivos. Esse contato com o outro enquanto se movimenta tem impacto tanto na coordenação motora quanto nas habilidades sociais.

Jogos de roda e brincadeiras cantadas, por exemplo, pedem sincronização de passos, ritmo comum e atenção ao grupo. A criança precisa acompanhar a música, coordenar palma, giro e deslocamento com as demais. Isso exige seguir marcações temporais e espaciais, ajustar postura, acertar o tempo certo de ação. Esse tipo de atividade trabalha equilíbrio, ritmo, controle respiratório e também favorece linguagem e entrosamento entre pares.

“Momentos de brincar que envolvem movimento são também momentos de escuta. A criança aprende a observar o colega, esperar o gesto do outro, coordenar junto e até oferecer ajuda quando percebe alguém com dificuldade”, explicam educadores do Colégio Senemby. Esse olhar para o grupo ajuda a criança a participar com mais segurança em ambientes coletivos, inclusive fora do contexto da brincadeira.

 

Participação da família

A família pode favorecer o desenvolvimento motor infantil sem transformar a casa em uma sala de ginástica. Oferecer materiais simples e seguros já é um bom começo: massinha, caixas de papelão grandes, panos para construir cabanas, bolas leves, potes de plástico com tampa, pregadores de roupa, blocos de montar. Esses elementos convidam a criança a experimentar força, encaixe, equilíbrio, precisão.

Outro ponto importante está no tempo. A criança precisa de tempo livre de tela e tempo livre de instrução direta para testar o corpo. Nem toda brincadeira precisa de interferência do adulto. A autonomia motora se fortalece quando a criança tenta subir sozinha num degrau baixo, arrasta um objeto pesado dentro de um limite seguro, empurra uma cadeira pequena para transformá-la em carro. É nesses momentos aparentemente simples que ela calibra peso, impulso e direção.

Isso não significa ausência de supervisão. Significa oferecer condições controladas para que a criança descubra o próprio corpo com segurança. Esse tipo de liberdade responsável ajuda a construir iniciativa. A criança aprende que pode tentar, ajustar e tentar de novo.

Também é positivo que o adulto esteja disposto a repetir movimentos com a criança. Jogar bola no chão de corredor, pular para alcançar um objeto pendurado a uma altura segura, fazer caminhos no piso com fita adesiva para seguir com passos grandes e pequenos, transportar brinquedos de um ponto a outro usando um balde leve. Quando o adulto participa do brincar corporal, valida esse tipo de experiência como algo importante, e não como algo secundário.

Brincar é um território de desenvolvimento motor, emocional, cognitivo e social. Na educação infantil, o gesto de subir, rolar, pular, equilibrar, socar massinha, rosquear tampas e montar cabanas está diretamente ligado ao amadurecimento neuromotor e à futura autonomia escolar. 

Para saber mais sobre a importância de brincar na educação infantil, acesse https://www.primeirainfanciaempauta.org.br/a-crianca-e-a-aprendizagem-a-importancia-do-brincar.html e https://educador.brasilescola.uol.com.br/comportamento/a-importancia-brincar.htm

 


Convivência fortalecida pelo movimento

A educação física tem um papel direto na forma como crianças e adolescentes interagem, constroem vínculos e aprendem a se relacionar com diferentes grupos. Ao participar de atividades coletivas, os estudantes experimentam situações que envolvem comunicação, tomada de decisão conjunta, respeito ao outro e cooperação. Esse processo impacta a formação social desde cedo e acompanha o desenvolvimento ao longo da vida.

Quando uma criança participa de um jogo, de uma corrida ou de um exercício em grupo, ela não está apenas movimentando o corpo. Ela está entrando em contato com regras, combinados, limites e estratégias compartilhadas. O corpo passa a ser um meio de expressão, e a convivência torna-se parte intrínseca da atividade. Nesses momentos, surgem desafios que exigem diálogo e escuta, algo fundamental para a socialização.

Nas situações em que os alunos precisam trabalhar juntos, o contato constante durante a prática cria oportunidades para o surgimento de confiança. Mesmo em esportes individuais, a presença de colegas assistindo, incentivando ou orientando gera um ambiente de troca. Essa presença do outro é uma base importante na construção de relações saudáveis. “Quando estudantes aprendem a lidar com a convivência por meio do jogo, eles desenvolvem a percepção de que o grupo cresce quando cada um participa com responsabilidade”, afirmam educadores do Colégio Senemby, de Caieiras (SP).

 

O papel das emoções nas relações escolares

Durante as atividades físicas, sentimentos como alegria, frustração, orgulho, ansiedade e entusiasmo aparecem de forma natural. Lidar com essas emoções, reconhecer o que se sente e aprender a expressar de maneira adequada são passos importantes no desenvolvimento emocional.

A socialização acontece quando a criança percebe que o outro também sente, reage e interpreta o mundo de maneiras próprias. Ao perceber que um colega está frustrado após um erro, ou feliz ao marcar um ponto, ela desenvolve empatia. Com o tempo, isso se transforma em um olhar mais cuidadoso para as relações.

A educação física, por envolver movimento e emoção ao mesmo tempo, cria um terreno favorável para que essa percepção se torne parte da convivência diária. A criança aprende, na prática, que a cooperação é um caminho possível e valioso.

 

Respeito às diferenças e ao ritmo de cada um

Em uma turma, cada estudante possui habilidades, limitações, interesses e ritmos distintos. A educação física coloca esse cenário em evidência. Alguns têm mais facilidade para correr, outros para arremessar, outros para planejar estratégias ou observar a dinâmica do grupo. Esse reconhecimento passa a ensinar algo central: pessoas são diferentes, e essas diferenças merecem respeito.

Ao lidar com ritmos variados, os alunos aprendem que o desempenho não é o único fator que importa. A participação, o esforço e a presença no grupo também são valiosos. Esse entendimento contribui para que ambientes escolares se tornem mais acolhedores.

Há um ganho direto na socialização quando o estudante sente que faz parte de um coletivo que o reconhece e o inclui. Essa segurança fortalece autoestima e confiança.

 

Comunicação como ponte para organizações coletivas

Toda atividade física em grupo exige algum nível de comunicação. Seja para combinar regras, reorganizar estratégias ou incentivar colegas, os alunos se veem envolvidos em conversas que vão além do conteúdo esportivo. Eles precisam explicar, escutar, argumentar e negociar.

Esse exercício constante melhora habilidades comunicativas e amplia a capacidade de resolver conflitos. A convivência se torna mais sólida quando a comunicação é clara, respeitosa e constante. Mesmo os momentos de desacordo são produtivos. Neles, os estudantes aprendem a lidar com frustrações e a procurar soluções possíveis, um passo fundamental para o desenvolvimento social ao longo da vida.

 

A construção da cooperação e da responsabilidade

O trabalho em equipe aparece frequentemente na educação física. Ao tomar decisões que envolvem o grupo, o estudante percebe que suas escolhas impactam todos ao redor. Surge, então, a noção de responsabilidade coletiva.

Essa percepção é essencial para a formação cidadã. Entender o próprio papel dentro de um conjunto de pessoas é parte da vida em sociedade. As atividades físicas permitem que essa compreensão se desenvolva de maneira natural, por meio da experiência direta.

Quando uma turma precisa pensar junto para alcançar um objetivo comum, há um fortalecimento dos laços sociais. Os vínculos criados nesse processo costumam se refletir também no ambiente de sala de aula e nos relacionamentos do dia a dia.

 

Identidade e pertencimento

A participação em atividades corporais também contribui para a formação da identidade. O estudante passa a se compreender como alguém que interage, contribui, aprende e cria com outros. Essa percepção aumenta o sentimento de pertencimento ao grupo.

Quando a criança se reconhece como parte de uma comunidade escolar, ela fortalece seu senso de segurança emocional, o que facilita a aprendizagem em outras áreas. Sentir-se pertencente é um alicerce para relações mais saudáveis.

 

Um caminho contínuo

A construção da socialização não acontece de uma vez. Ela é parte de um processo contínuo, que combina vivências diárias, interações espontâneas e atividades planejadas. A educação física ocupa lugar privilegiado nesse percurso porque oferece situações que envolvem movimento, emoção, linguagem e convivência de maneira integrada. A prática regular dessas experiências contribui para que crianças e adolescentes se tornem adultos capazes de cooperar, dialogar e conviver em sociedade com sensibilidade e respeito.

Para saber mais sobre a importância da educação física nas escolas, visite https://sportsjob.com.br/a-importancia-da-educacao-fisica-escolar-na-formacao-do-individuo e https://www.institutoclaro.org.br/educacao/nossas-novidades/noticias/educacao-fisica-veja-26-planos-de-aula-para-o-ensino-fundamental-e-medio/

 


Projeto Antibullying do Senemby reforça cultura de respeito o ano todo

 

Falar sobre convivência é tão importante quanto aprender disciplinas curriculares. No Colégio Senemby, em Caieiras (SP), o combate ao bullying é tratado como ponto forte na formação dos estudantes. Dentro de um projeto institucional amplo, que envolve prevenção, diálogo e acompanhamento contínuo, a escola realiza ao longo do ano uma série de atividades que convidam ao respeito às diferenças.

O projeto está presente em todos os segmentos — da Educação Infantil ao Ensino Médio — e tem um protocolo de ações que orientam professores, alunos e famílias. Além das ações permanentes, o colégio promove duas grandes mobilizações anuais: uma em abril, durante o Dia Nacional de Combate ao Bullying, e outra em outubro, no Dia Mundial de Prevenção ao Bullying. Nessas ocasiões, o tema ganha destaque em toda a comunidade escolar, reforçando o compromisso coletivo de construir um espaço seguro e acolhedor.

 

Aprender a conviver é parte do ensino

O trabalho de prevenção no colégio acontece em diferentes formatos. Durante a semana de outubro dedicada ao tema, os professores desenvolvem atividades de reflexão com suas turmas, abordando desde situações cotidianas de convivência até discussões mais amplas sobre respeito e responsabilidade. Com os menores, as ações giram em torno da amizade, gentileza e empatia por meio da contação de histórias, brincadeiras e conversas que despertam nas crianças a importância de cuidar umas das outras.

Com os maiores, o foco é entender o que caracteriza o bullying, como identificar comportamentos e de que forma agir diante deles. No Ensino Fundamental, os alunos produzem cartazes, campanhas e textos reflexivos sobre convivência. Muitas vezes, criam painéis coletivos com frases e ilustrações sobre amizade e respeito. Essas atividades estimulam a expressão emocional e fortalecem o senso de pertencimento. Já no Ensino Médio, o debate assume contornos mais críticos. As turmas discutem conceitos, consequências e possíveis soluções para casos de bullying.

A cada ano, o Senemby propõe uma nova abordagem sobre o tema. Essa variedade de formatos mantém o assunto vivo e interessante para os alunos.

 

Ferramentas de transformação

Em outubro, um dos destaques do calendário foi o Senemby Talks especial “Histórias que abraçam: combatendo o bullying com leitura e afeto”, encontro que reuniu estudantes do Ensino Fundamental e Médio em torno de um mesmo propósito: refletir sobre o poder das palavras e o impacto das atitudes. A atividade contou com a participação do escritor, professor e contador de histórias Filipi Macedo, que conduziu uma conversa leve, divertida e inspiradora.

Ao ouvir o convidado, compreenderam que combater o bullying começa com pequenos gestos como ouvir o outro, acolher as diferenças e se colocar no lugar do próximo. A leitura, nesse contexto, torna-se uma ferramenta poderosa de transformação social.

Essas ações reforçam um ponto central do projeto: a prevenção é mais eficaz quando parte da escuta e da participação dos próprios alunos. 

 

Um compromisso que vai além das salas de aula

O Projeto Antibullying do Colégio Senemby é parte de uma política institucional mais ampla, que inclui atividades de orientação e acompanhamento. Sempre que alguma situação de conflito ou desrespeito é identificada, a escola realiza um trabalho cuidadoso com os envolvidos não apenas para corrigir comportamentos, mas para promover reflexão e reconstrução de vínculos.

Esse acompanhamento faz parte da rotina pedagógica e é conduzido com sensibilidade e diálogo, reafirmando um papel educativo acadêmico e na formação humana.

 


Atenção ao comportamento: conheça o TDAH e seus principais sinais

O TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) é uma condição que desperta muitas dúvidas entre pais e educadores. Trata-se de um transtorno neurobiológico que interfere na capacidade de manter a atenção, controlar impulsos e regular o nível de atividade. Embora seja mais comumente identificado na infância, o TDAH pode acompanhar o indivíduo por toda a vida, afetando seu desempenho escolar, profissional e suas relações pessoais.

O TDAH é um dos transtornos mais estudados da infância e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), afeta entre 3% e 5% das crianças em todo o mundo. Os sintomas costumam surgir antes dos sete anos de idade e podem variar de acordo com o perfil da criança. Alguns demonstram maior dificuldade de concentração, enquanto outros apresentam comportamento inquieto ou impulsivo.

Os sinais mais comuns incluem desatenção, esquecimento, dificuldade em seguir instruções, interrupções frequentes em conversas e uma constante sensação de pressa. Em muitos casos, essas atitudes não decorrem de má vontade ou falta de interesse, mas de um funcionamento cerebral que processa estímulos de maneira diferente.

Nas salas de aula, é comum que crianças com TDAH tenham dificuldade em se manter concentradas por longos períodos, o que pode resultar em baixo rendimento escolar ou comportamento disperso. Esse tipo de situação exige atenção dos professores e diálogo constante com a família para garantir um acompanhamento adequado.

 

Desatenção, hiperatividade e impulsividade: os três eixos do TDAH

O TDAH geralmente é classificado em três tipos, dependendo do predomínio dos sintomas: desatento, hiperativo-impulsivo ou combinado.

No tipo desatento, predominam sintomas como distração e dificuldade em manter o foco em tarefas rotineiras. Crianças com esse perfil costumam ser vistas como “sonhadoras” e podem demorar mais para concluir atividades escolares.

Já o tipo hiperativo-impulsivo é caracterizado por inquietude constante, dificuldade de permanecer sentado e tendência a agir sem pensar. Por fim, o tipo combinado é o mais frequente e reúne traços de desatenção e impulsividade.

É importante destacar que o comportamento agitado por si só não define o TDAH. O diagnóstico precisa considerar a frequência e a intensidade dos sintomas, bem como seu impacto na vida da criança em diferentes ambientes — casa, escola e convívio social.

 

Diagnóstico do TDAH

O diagnóstico do TDAH deve ser feito por profissionais especializados, como neurologistas, psiquiatras ou psicólogos. Não existe um exame laboratorial que identifique o transtorno; o processo é clínico e envolve observação, entrevistas e relatórios de pais e professores.

Os critérios diagnósticos incluem a persistência dos sintomas por pelo menos seis meses e sua presença em mais de um contexto. Além disso, é essencial que o comportamento observado cause prejuízos reais na rotina escolar ou familiar.

Um dos desafios do diagnóstico é diferenciar o TDAH de outras condições que podem apresentar sintomas semelhantes, como ansiedade, depressão ou dificuldades de aprendizagem. Por isso, o acompanhamento deve ser cuidadoso e individualizado, com base em uma análise ampla do histórico da criança.

De acordo com educadores do Colégio Senemby, de Caieiras (SP), o diálogo entre escola e família é fundamental nesse processo: “Quando pais e professores observam juntos o comportamento da criança, é possível compreender melhor o que está por trás das dificuldades e buscar ajuda profissional com mais segurança.”

 

O impacto do TDAH no aprendizado e nas relações sociais

As dificuldades de concentração e impulsividade podem afetar o desempenho escolar e o comportamento social da criança. Alunos com TDAH, por exemplo, podem esquecer instruções, interromper colegas ou desistir de atividades com facilidade. Essa falta de controle não é proposital, mas resultado de um funcionamento diferente nas áreas do cérebro responsáveis pela atenção e pelo autocontrole.

Essas situações, se não forem compreendidas adequadamente, podem gerar frustração tanto na criança quanto em seus educadores e familiares. Por isso, o reconhecimento precoce e a intervenção adequada fazem toda a diferença no desenvolvimento emocional e acadêmico.

Outro ponto importante é o aspecto emocional. Crianças com TDAH tendem a enfrentar críticas constantes, o que pode afetar a autoestima e aumentar o risco de ansiedade. O incentivo positivo e a valorização das conquistas diárias são essenciais para que elas se sintam confiantes e motivadas.

 

Tratamento e acompanhamento multidisciplinar

O tratamento do TDAH é personalizado e pode incluir o uso de medicamentos, psicoterapia e acompanhamento psicopedagógico. Medicamentos estimulantes, como o metilfenidato, são frequentemente prescritos para melhorar a concentração e o controle da impulsividade, mas sempre sob supervisão médica.

Além da medicação, intervenções comportamentais e educacionais são fundamentais. A terapia comportamental ajuda a criança a desenvolver estratégias para lidar com distrações e manter o foco. No ambiente escolar, adaptações simples — como dividir tarefas em etapas menores ou oferecer pausas curtas entre as atividades — podem facilitar o aprendizado.

Para os pais, o acompanhamento também é essencial. Participar de sessões de orientação familiar e manter uma rotina estruturada em casa ajudam a reduzir o estresse e a melhorar o relacionamento com a criança.

Segundo os educadores do Colégio Senemby, o apoio emocional e o acolhimento fazem parte do tratamento: “Quando a criança percebe que é compreendida, o processo de aprendizagem se torna mais leve e os resultados aparecem de forma natural.”

 

Como a escola e a família podem colaborar

A parceria entre escola e família é um dos pilares do sucesso no manejo do TDAH. O diálogo constante ajuda a identificar dificuldades precocemente e a ajustar estratégias de ensino conforme as necessidades individuais.

A escola, ao observar o comportamento do aluno no dia a dia, pode contribuir com informações valiosas para os profissionais de saúde. Já a família tem o papel de reforçar em casa hábitos que favoreçam a concentração, como horários definidos para estudo, descanso e lazer.

É fundamental também reconhecer os avanços. Pequenas melhorias no comportamento ou no desempenho escolar merecem ser valorizadas, pois funcionam como combustível para a autoconfiança da criança.

 

Convivendo com o TDAH: perspectiva e possibilidades

Com o diagnóstico e tratamento adequados, as crianças com TDAH podem alcançar pleno desenvolvimento acadêmico e emocional. O transtorno não impede o sucesso escolar, mas exige atenção e estratégias personalizadas.

A neurociência tem mostrado que o cérebro de pessoas com TDAH possui alto potencial criativo e capacidade de resolver problemas de forma inovadora. Quando o ambiente escolar reconhece essas habilidades e oferece suporte adequado, o aluno se sente valorizado e motivado a aprender.

Além disso, o desenvolvimento de competências socioemocionais, como empatia e autocontrole, contribui para que a criança aprenda a lidar melhor com seus desafios e fortaleça sua autonomia.

Compreender o TDAH é o primeiro passo para acolher e apoiar crianças que convivem com o transtorno. Ele não define quem elas são, mas indica que precisam de estratégias específicas para desenvolver seu potencial.

A atenção dos pais, o olhar sensível dos educadores e o acompanhamento de profissionais especializados formam a base de um suporte eficaz. Assim, é possível transformar as dificuldades em aprendizado e construir uma trajetória escolar mais equilibrada e confiante.

Para saber mais sobre o TDAH, visite https://tdah.org.br/sobre-tdah/o-que-e-tdah e https://pequenoprincipe.org.br/noticia/tdah-o-que-e-e-sintomas-criancas-e-adolescentes